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Em várias de suas edições, trabalhadores que colaboravam no jornal O Inimigo do Rei, publicavam matérias que iam de encontro ao que parecia ser o aparelhamento dos sindicatos pelos partidos. Nas matérias pretendiam deixar claro suas posições diametralmente contrárias a daqueles que esperavam transformar a sociedade participando do processo eleitoral, tornando os sindicatos cada vez mais dependentes dos partidos.
Em uma delas, na última edição do jornal, Nº22, em 1988, publicam a matéria Breve Histórico da COB, onde explicam o que foi a Confederação Operária Brasileira.
Além disso afirmam haver grupos organizando-se para uma possivel reconstrução da antiga confederação, com todos os seus princípios e doutrinas.
Ai vai o texto na íntegra:
"Muito pouca gente sabe, mas a força do Movimento Operário era bem maior no começo de século até 1934, porque os Sindicatos, Ligas e Uniões Operárias eram livres e não sofriam controle do Governo, dos Partidos Políticos e nem dos Patrões.
Foram essas Organizações, a grande maioria de orientação anarquista, que em 1906 realizaram o I Congresso Brasileiro e deliberaram pela necessidade de se criar uma Confederação, uma Central Sindical. Em 1908 a Confederação Operária Brasileira já editava o jornal “A Voz do Trabalhador” noticiando as lutas do proletariado do Brasil e do mundo.
A COB realizou seu II Congresso em 1913, tendo sido responsável pela deflagração da Greve Geral de 1907 pelas 8 horas de trabalho (aprovada no I Congresso) e responsável – junto com os anarquistas – pela deflagração da Campanha contra o Fascismo. Em 1917 são seus aderentes que promovem a Greve Geral que colocou São Paulo nas mãos dos operários.
Em 1920 a COB realiza seu terceiro e último Congresso.
Em 1934, após enfrentamentos com os fascistas e com o Governo, o movimento anarco-sindicalista sofre as maiores repressões, tendo muitos de seus militantes mortos, presos ou deportados.
A partir de 1934, Getúlio Vargas cria o Ministério do Trabalho, proíbe a existência de Sindicatos livres, cria o Imposto Sindical e a CLT, nela colocando – em forma de lei – todas as conquistas das lutas e greves anteriores. Getúlio promove a migração interna trazendo camponeses para a cidade e ajudando a indústria a eliminar os serviços especializados desempenhados por operários estrangeiros considerados como “agitadores”.
Em 1937 Getúlio dá um Golpe de Estado e impõe uma Ditadura. Entre os fatores de esvaziamento da luta sindical a partir dessa data, podemos citar o papel dos comunistas de apoio ao Governo na destruição dos Sindicatos Livres e do lançamento entre os operários de um ideal reformista de “tomada do poder pelo Partido Operário”; a criação de Sindicatos sustentados pelo próprio governo e a repressão feroz contra o movimento anarquista e anarco-sindicalista, pelo Governo e pelo PC.
De lá para cá nada mudou. Os Sindicatos continuam atrelados e nenhuma conquista verdadeira foi conseguida a partir de 1930. Os Sindicatos são hoje grandes aparatos financeiros, verdadeiros órgãos públicos administrados por pelegos e políticos, todos a usar o trabalhador.
Em maio de 1986 os anarco-sindicalistas realizaram um Congresso e uma jornada de memória aos cem anos dos mártires de Chicago e lá lançaram a bandeira da reconstrução da COB.
Com núcleos espalhados por vários Estados, os anarco-sindicalistas vêm batalhando por retomar a verdadeira prática revolucionária do sindicalismo, uma prática que não se identifica nem com a CUT e muito menos com CGT, ambas reformistas e atreladas a Governos e Partidos Políticos a se sustentar do roubo que é Imposto Sindical".
criado por Jornalismo - FCS
18:09:40