O Inimigo do Rei

Este Blog é resultado de pesquisa para o TCC, desenvolvida pelos alunos Carlos Baqueiro e Eliene Nunes, ambos cursando Jornalismo na Faculdade da Cidade de Salvador (FCS). O objeto de pesquisa é o jornal O Inimigo do Rei.

O Inimigo do Rei

Este Blog é resultado de pesquisa para o TCC, desenvolvida pelos alunos Carlos Baqueiro e Eliene Nunes, ambos cursando Jornalismo na Faculdade da Cidade de Salvador (FCS). O objeto de pesquisa é o jornal O Inimigo do Rei.
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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2007

27.06.07

Entrevista com Carlos Baqueiro

categorias: Entrevistas

O Estudante de jornalismo, José Martiniano, da Faculdade da Cidade do Salvador, fez uma entrevista com Carlos Baqueiro, um dos colaboradores de O Inimigo do Rei na década de 80:

José Martiniano: Como e quando surgiu o Jornal IR (O Inimigo do Rei)?

Carlos Baqueiro: O IR é publicado pela primeira vez em outubro de 1977. Foi criado por estudantes da UFBA, de jornalismo e filosofia (que já trabalhavam). Eles tinham um pequeno grupo chamado de Fantasmas da Liberdade (lembranças de um filme de Buñuel). O jornal consegue sobreviver até 1988, quando vai as ruas o último número, num total de 22 edições.

JM: Qual era a principal fonte de renda do jornal ?

CB: No início a principal fonte financiadora do jornal foram os próprios salários dos participantes. Mas com o tempo foi sendo possível vendê-lo em bancas de revistas e a própria geração de capital sobre as vendas possibilitava parte do financiamento da edição posterior. No final dos anos 70 o jornal começa a circular nacionalmente possibilitando através dele uma rearticulação do movimento anarquista em todo o país. Em São Paulo o jornal consegue vender até 4.000 exemplares em algumas edições. Em 1980 com o ataque de grupos de direita às bancas de revista que vendiam jornais alternativos as vendas começaram a se retrair. Isso forçou, inclusive, o fechamento de muito jornais.

JM: Vocês eram perseguidos pela censura?

CB: E só comecei a participar do IR em 1984. Nesse período a censura do governo militar já estava caducando, pelo menos para a imprensa escrita. Mas ainda me lembro de nessa época ter corrido de policiais pois não era permitido entregar panfletos em locais de grande concentração de gente, e entregávamos um convite para seminário em frente à Estação da Lapa. Numa espécie de autocensura o grupo inicial colocava na capa do jornal: “Um Jornal Anti-Monarquista”, pois provavelmente se fosse colocado como “Anarquista” seria retirado das bancas. Mas todos sabiam que a Polícia Federal e os órgãos de segurança estavam de olho nas movimentações do grupo.

Em 84 ou 85, não lembro bem, apareceu um sujeito dizendo-se funcionário público e interessado em anarquismo. Participou de várias reuniões do grupo que editava o IR. Participou de eventos, etc. Tomou cerveja com todo o pessoal nas festas que fazíamos para arrecadar dinheiro. Conhecemos até pessoas que ele dizia ser parentes, irmãos, etc. Um certo dia, num 1° de Maio, com a bandeira negra nas mãos, ele chegou para alguns de nós e afirmou ser da Polícia Federal... Estava ali para garimpar dados e informações sobre o grupo. Pediu desculpas, pois achava toda aquela situação uma insensatez, além de ter gostado muito de todas as pessoas do grupo... e foi embora. Nunca mais o vimos, nem tivemos confirmação de sua história. Muita gente participou do IR durante os anos de sua existência, e provavelmente, não tivemos apenas aquele “informante” dentro de nosso grupo.

JM: Como era a organização administrativa do jornal?

BC: Em quase todas as edições do jornal saia uma espécie de “expediente” informando que os “Jornalistas do IR também são jornaleiros”. O que isso queria dizer. Ali estava o sinal de que para os anarquistas todos têm de participar tanto manual como intelectualmente do jornal. Não estávamos a procura de celebridades, nem de picaretas, que graças a alguma capacidade intelectual mais fortalecida que a da maioria da população se aproveita disso para comer melhor ou ganhar os louros da vitória...

O jornal não tinha censura. Se a pessoa que escrevia era de algum grupo que produzia, editava, vendia, distribuía, essa pessoa tinha o direito de escrever. Não havia editores iluminados que filtrariam as “melhores” matérias ou artigos. A depender da quantidade de matérias, imagens, e da grana disponíveis, o jornal tinha 8, 12 ou 16 páginas, em formato tablóide. O jornal era diagramado, na maior parte das vezes, em Salvador. E era enviado para alguma gráfica do país onde se encontrasse o menor preço. Durante algum tempo a etapa da diagramação foi em sistema de rodízio, uma vez o pessoal do Rio era responsável, em outra edição São Paulo, ou Rio Grande do Sul. Indivíduos ou grupos de vários estados participaram do IR: Bahia, Rio, SP, RS, RN, PB, PR, SE, CE e até de Rondônia chegavam cartas para publicação.

24.06.07

De volta a labuta...

categorias: Notícias

Olá,

Alguns problemas não permitiram que pudéssemos dar andamento ao Blog durante alguns dias.

Mas estamos de volta.

Como diria O Inimigo do Rei, em uma de suas idas e vindas durante os 11 anos de vida:

"O INIMIGO DO REI está de volta. Apesar de ninguém se aperceber disto (o pior cego...), é o único jornal autogestionário feito no Brasil, e o único alternativo político feito na Bahia. As dificuldades são imensas, principalmente as financeiras, pois como o Centro de Informações do Exército (CIEX) dizia nos idos do começo do governo Figueiredo, a meta do Sistema não é a censura da Polícia e, sim, a censura econômica. Isto é, eles foram criando barreiras e mais barreiras econômicas para a impressão de qualquer coisa, a tal ponto que ficou tão caro imprimir o jornal que tivemos de passar uma temporada nos reorganizando para vencer os obstáculos que o Sistema colocou a nossa frente.

Mas, vencemos ! E muita (muita mesmo...) gente não vai gostar disso, o que é a nossa maior alegria".

Tudo isso escrito na décima oitava edição do jornal, na Primavera de 1984.