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1977 foi um ano e tanto... como tantos outros...
Fizemos uma pequena pesquisa em jornais daquele ano, e disponibilizaremos aqui alguns dos cabeçalhos das notícias, entre os meses de agosto e setembro, mês anterior a quando o jornal O Inimigo do Rei foi lançado em público.
Vamos lá...
- LEVY VÊ DITADURA AINDA POSSÍVEL (Jornal da Bahia - 07/08/77);
- NEM VOLTA IMEDIATA AOS QUARTÉIS NEM O PODER PARA SEMPRE (A TARDE - 11/08/77);
- GOVERNO ESTARIA ELABORANDO PROJETO DA REDEMOCRATIZAÇÃO (A TARDE - 13/08/77);
- A "CARTA DE MANAUS" CITA PROBLEMAS DO JORNALISTA NO BRASIL (A TARDE - 27/08/77);
- NENHUM PAÍS DEVE SER JUIZ DE OUTRO, DIZ BRASIL NA ONU (A TARDE - 27/09/77)
Quanto a esta última notícia já podíamos notar desde Março de 1977 uma certa pressão americana, com relação à situação política no Brasil. A edição do jornal A TARDE do dia 7 daquele mês já colocava em toda página 11 uma grande reportagem com o título BRASIL NÃO ACEITA AGRESSÃO À SUA SOBERANIA. Em trecho da reportagem pode-se ler:
"O Relatório que causou a crise nas relações EUA-Brasil abrange itens como a tortura, as prisões ilegais, a censura à imprensa, as atividades do 'Esquadrão da Morte', as cassações de direitos políticos, as pressões contra a Igreja e o desrespeito aos direitos dos índios".
O governo brasileiro tentou minimizar os efeitos daquele relatório do Congresso Americano, mas durante boa parte do governo Jimmy Carter, que começara em janeiro de 77, indo até 81, os americanos continuaram pressionando os militares brasileiros.

criado por Jornalismo - FCS
23:52:01
...Continuação do dia anterior
A Mídia Alternativa estaria, assim, indo de encontro a um tipo de ideologia. Um esclarecimento tomado de Pierre Ansart poderia nos dizer que ideologia seria essa:
"De fato, uma ideologia sistemática será incessantemente difundida pelos grandes mediadores dos significantes políticos, ideologia conforme a estrutura da propriedade, incitando à conformidade com a ordem estabelecida e a ver a política como um espetáculo pouco sério". (ANSART, Pierre. Ideologias, Conflitos e Poder. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 1978, p. 86/87.)
Portanto verificamos a importância de discutir sobre esta mídia numa perspectiva acadêmica do ponto de vista de sua história, quanto ao nível de uma práxis que deve permitir a aqueles que se embrenham na arte do jornalismo se colocarem do lado da população em nome da democracia, resistindo a qualquer ação que possa vir a reduzir a liberdade de expressão.
Estudar e dar visibilidade a um dos jornais que se encontravam dentro desta definição de mídia alternativa é desta forma resgatar justamente a trajetória deste sentimento de resistência que se sobrepõe ao medo de lutar contra o autoritarismo.
Além do mais estamos vivendo hoje um tempo de certezas. Ou melhor, um tempo em que se aparentam mais certezas do que dúvidas. O tempo do que Ignácio Ramonet chamou de Pensamento Único. Do que já foi chamado de Fim da História.
Nas democracias atuais, cada vez mais cidadãos livres sentem-se atolados, lambuzados por um tipo de doutrina viscosa que, imperceptivelmente, envolve todo raciocínio rebelde, inibi-o, desorganiza-o, paralisa-o e termina por asfixia-lo. Essa doutrina constitui o “pensamento único”, única autorizada por um invisível e onipresente controle de opinião. (RAMONET, Ignácio. O Pensamento Único. In MALAGUTI, Manoel (Org.). A Quem Pertence o Amanhã: Ensaios sobre o Neoliberalismo. São Paulo: Edições Loyola, 1997, p. 23.)
Portanto, num momento como esse, nada melhor do que rebuscar na História um pouco de antagonismo. E particularmente quando utilizamos alguma parte da dela em que homens e mulheres se unem, para com uma pitada de humor, e outras de ironia e coragem, tentarem destronar o Rei.
Escolhemos para isto, com um misto de prazer e de necessidade acadêmica, o jornal O Inimigo do Rei.

criado por Jornalismo - FCS
23:36:24
Em outubro de 1977 começava a ser publicado, por estudantes e trabalhadores baianos, um jornal com “nome estranho”, como enfatizou um de nossos entrevistados.
O Inimigo do Rei nasceu, como muitos outros jornais nas décadas de 60 e 70, sob uma ferrenha ditadura iniciada em 1964 com um Golpe Militar apoiado por alguns segmentos da sociedade.
Jornais chamados de alternativos, ou de nanicos, pipocaram em todo o país, em contraposição aos grandes jornais, os quais, com freqüência, tiveram que se calar diante da força das regras impostas pelos ditadores.
Não que os jornais nanicos deixassem de sofrer repressão. Longe disso, pois aqueles que escreviam para os jornais eram também observados e perseguidos. Agentes da polícia política da ditadura deviam mesmo se camuflar dentro das redações daqueles jornais, para no momento certo poderem inclusive apreender as edições, a exemplo do jornal Pif-Paf, que surgiu em 64, e tinha jornalistas como Millor Fernandes em sua redação. A sua 8ª edição foi apreendida e ele deixou de existir, por óbvios motivos econômicos.
Segundo Bernardo Kucinski, "em contraste com a complacência da grande imprensa para com a ditadura militar, os jornais alternativos cobravam com veemência a restauração da democracia e do respeito aos direitos humanos e faziam a crítica ao modelo econômico. Inclusive nos anos de seu aparente sucesso, durante o “milagre econômico”, de 1968 a 1973. Destoavam, assim, do discurso triunfalista do governo ecoado pela grande imprensa, gerando todo um discurso alternativo." (KUCINSKI, Bernardo. Jornalistas e Revolucionário: Nos Tempos da Imprensa Alternativa. São Paulo: EDUSP, 2003, p. 9/10)
A partir de uma razoável bibliografia, poderemos perceber que aquele tipo de mídia alternativa dos anos 60 a 80 tem também como objetivo mostrar como as elites dominantes criam e manipulam os seus órgãos de imprensa ao seu bel prazer contra as classes trabalhadoras. E porque não, objetivam também apresentar um outro discurso sobre a mídia de massa, discurso este o qual, a maioria das pessoas não estava acostumada a ler, ouvir ou ver.
São aquelas mídias alternativas que serviriam também, por exemplo, como espaço criativo, onde estudantes e profissionais da área de comunicação, ou quaisquer outros interessados, poderiam compreender certos aspectos que envolvem a natureza dos meios de comunicação de massa, como, por exemplo, sua influência sobre a população, como formadora de opinião.
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Amanhã postaremos a segunda e última parte deste pequeno artigo, que será parte da justificativa do projeto sobre O Inimigo do Rei.

criado por Jornalismo - FCS
22:37:31 
Fomos convidados, por alguns antigos colaboradores do jornal O Inimigo do Rei, a participar hoje da inauguração da Biblioteca Comunitária José Oiticica.
Na foto acima pode-se observar o início de Reunião, a céu aberto, onde se debateu a necessidade da Biblioteca, como ponto inicial de um longo processo educativo comunitário. A reunião teve a presença de moradores da comunidade, e visitantes.
A Biblioteca localiza-se no fim de linha do bairro de Valéria, em Salvador.
Fizemos algumas imagens no local. Veja no link abaixo.

criado por Jornalismo - FCS
23:24:11
Neste novo trecho da entrevista feita em 13 de Outubro de 2006, em sua casa, Antonio Carlos de Oliveira conta como foram seus primeiros passos dentro do movimento anarquista em SP, sua ligação com os punks, e uma certa imagem negativa inicial do Centro de Cultura Social.

criado por Jornalismo - FCS
21:19:09